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segunda-feira, 11 de julho de 2011

Sete cidades - Legião Urbana


Considerados o maior grupo brasileiro de rock de sempre, os Legião Urbana, liderados por Renato Russo, dominaram a cena musical do Brasil entre 1982 e 1996, ano em que desapareceram após o falecimento do seu líder e autor da frase acima, a qual faz parte da letra da canção Sete Cidades, para alguns o verdadeiro ex-libris do grupo. Para a história ficaram dezasseis álbuns e mais de 20 milhões de discos vendidos. Aqui fica uma amostra, com a promessa de futuramente vir a dedicar-lhes mais alguma espaço, bem como às restantes 3 bandas do chamado quarteto sagrado do rock brasileiro:Barão Vermelho, Titãs e Paralamas do Sucesso.


Já me acostumei com a tua voz
Com teu rosto e teu olhar
Me partiram em dois
E procuro agora o que é minha metade
Quando não estás aqui
Sinto falta de mim mesmo
E sinto falta do meu corpo junto ao teu
Meu coração é tão tosco e tão pobre
Não sabe ainda os caminhos do mundo
Quando não estás aqui
Tenho medo de mim mesmo

E sinto falta do teu corpo junto ao meu
Vem depressa pra mim
Que eu não sei esperar
Já fizemos promessas demais
E já me acostumei com a tua voz:
Quando estou contigo estou em paz
Quando não estás aqui,
Meu espírito se perde, voa longe

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Muçulmanas boas na cama contribuem para a paz mundial

Nunca fui pessoa de censurar os praticantes ou seguidores de qualquer religião e quando o faço é de forma livre e não comprometida, já que, embora tenha sido "inscrito" pelos meus pais numa delas, nunca me considerei praticante seja do que for no que às religiões diz respeito, descontando umas quantas idas à missa, algumas com outros interesses subjacentes que não a prédica do padre.

Vem isto a propósito da fundação de um clube, cuja origem se situa na Jordânia e já se encontra implantado em vários países de maioria muçulmana, como Singapura, Malásia e Indonésia, estando prevista a sua chegada à Europa ainda este ano.

Designado "The Obedient Wives Club", só o nome dá logo uma boa indicação sobre as hipóteses de sucesso desta novel associação (em português: O Clube das Mulheres Obedientes).


Os seus fundadores partem do princípio que há uma relação entre a insatisfação sexual dos homens e alguns dos problemas que afectam a sociedade, como a prostituição e o jogo, vai daí é objectivo do clube reduzir ou mesmo acabar de vez com esses problemas, ensinando as mulheres muçulmanas a ser submissas e a satisfazer os seus homens na cama. Com tão boas intenções não há como discordar dos princípios de tão valorosa organização.

Dra. Rohaya Mohamad

A vice-presidente, uma tal de Rohaya Mohamad, declarou ao jornal The Guardian: "Se fores uma boa puta e servires o teu marido melhor que uma prostituta de primeira, isso poderá resolver muitos problemas como a violência doméstica, o tráfico de humanos e até o abandono de crianças."


Destas declarações podem tirar-se várias ilações, nomeadamente que a senhora Rohaya deve ser uma rica cambalhota e que o marido da dita, quando não consegue despejar devidamente os tomates, deve ser um gajo fodido como o caraças.

Cá por mim vou ficar atento a posteriores desenvolvimentos sobre o assunto, e aproveito para, caso o clube venha a ter uma delegação em Portugal, me voluntariar como instrutor dessas damas, contribuindo assim para a harmonia familiar de algumas famílias muçulmanas, com tudo o que isso implica para a paz mundial.

Para encerrar o assunto aqui fica uma pequena observação: as quatro mulheres do Bin Laden deviam ser mesmo uma granda merda na cama!!!...

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Bora lá maltinha!

Há que retomar a actividade, os frequentadores desta coisa assim o exigem, mas isto não pode ser rápidamente e em força, como o Salazar a enviar soldados para Angola. Assim sendo o melhor é começar devagar e suavemente. Vejam lá se serve assim:

Um jovem dirigindo-se ao seu futuro sogro:
- Venho pedir a rata da sua filha em casamento.
- O quê?!!! No meu tempo pedia-se a mão!
- Pois é, mas farto de punhetas ando eu...


É a modos que o Back in Black, no humor e nos olhos...

quinta-feira, 3 de março de 2011

Solidariedade sobre rodas


No próximo dia 20 de Março os amantes das bicicletas vão ter a oportunidade de praticar a sua actividade favorita e, simultâneamente, mostrar a sua solidariedade.

Para tal basta que participem no 5º Passeio de BTT de Solidariedade no Barreiro, apelidado de "Passeio de Sonho". A organização é da A. C. Fidalbyke, tem o apoio da Câmara Municipal do Barreiro e destina-se a apoiar a Associação Portuguesa dos Amigos de Ana Catarina (APAAC).

Para mais informações e inscrições podem aceder ao site www.fidalbyke.pt.

"A solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana." ( Franz Kafka )

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

De volta por uma boa causa


Meus caros, há muito tempo que não se passa nada neste blogue mas, agora, um bom motivo fez com que algo se passe aqui. Espero que seja para continuar.


Mais uma vez os meus amigos do Moto Clube do Barreiro vão comemorar o aniversário do seu clube e, mais uma vez, aqui estou eu para o divulgar.


No dia 19 de Março a festa vai ser de arromba, com animação, petisco, bebida até fartar e concerto com a banda Rock em Stock. A animação e boa disposição a que todos os motards e a população do Barreiro já estão habituados vai durar até a manhã chegar.


Apareçam que vai valer a pena.


Já agora vou deixar aqui a promessa de um regresso breve.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Filmes de Natal

Na época natalícia os responsáveis pelas televisões fazem um esforço enorme para colocar no ar os piores filmes que conseguem encontrar. O pessoal fica em casa e as audiências estão garantidas, vai daí, toca de dar lixo à maltinha,

Há uns anos era hábito passar o Pátio das Cantigas, o Leão da Estrela e outros clássicos portugueses do tempo da Maria Cachuxa, entremeados com o Ben-Hur e os Dez Mandamentos. O Sozinho em Casa também tinha lugar garantido. Actualmente somos obrigados a ver o Shreck 8, ou outra coisa no género, e a Corrida Mortal ou outras merdas que tais. Já nem se respeita o facto de ser uma data dedicada à família e ao convívio entre diversas gerações, o que interessa é passar meia dúzia de filmes para crianças e mais uns quantos que nem para adultos são, limitam-se a incluir porrada que até ferve e umas gajinhas boazonas e pouco vestidas.
Por mim façam como muito bem entenderem, mas, ainda assim, vou deixar aos programadores das nossas televisões um conselho: podem continuar a passar os tais filmes para crianças, mal por mal, também ninguém os vai ver. Quanto aos outros, aqueles destinados aos mais crescidos, deixem-se de violência gratuita e sexo explícito, a malta prefere violência explícita e sexo gratuito.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Saramago com ideias claras

O homem disse muita asneira, mas também disse muita coisa certa.

”Privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e a lei, privatize-se a nuvem que passa, privatize-se o sonho, sobretudo se for diurno e de olhos abertos. E finalmente, para florão e remate de tanto privatizar, privatizem-se os Estados, entregue-se por uma vez a exploração deles a empresas privadas, mediante concurso internacional. se encontra a salvação do mundo… e, agora, privatize-se também a puta que os pariu a todos.”

José Saramago – Cadernos de Lanzarote - Diário III – pag. 148

domingo, 12 de dezembro de 2010

Sílvio Berlusconi, o "Papi"

“Não preciso de ir para o governo por nada deste mundo. Tenho casas espalhadas por todo o mundo, barcos espectaculares, belíssimos aviões, a mais bela das mulheres. Ir para o governo é um grande sacrifício que estou a fazer.”

A frase é de Sílvio Berlusconi e o nosso primeiro-ministro deve estar todo roído de inveja. O homem só tem aquela casa que lhe venderam por metade do valor de mercado, não tem barcos nem aviões e desconfia-se que mulher também não. Além disso também está a fazer um grande sacrifício no governo, basta ver a forma como governa, especialmente porque sabe que quando sair vai enriquecer rapidamente e depois já poderá ter algumas daquelas coisas.

Berlusconi fala desta forma, mas faz tudo para se manter no poleiro que ocupa há mais de vinte anos, resistindo aos que, por via do seu afastamento, pretendem um futuro político mais transparente para a Itália e um chefe de Governo menos atolado em suspeições, negócios obscuros e em escândalos variados, alguns do foro privado. Aparentemente o poder político tem um sabor muito melhor que o simples poder económico e social. Não lhe basta ser dono e presidente do Milão, um dos maiores clubes do mundo (o Sócrates, que certamente tem umas quantas acções do Benfica, deve estar todo roído de inveja), de cadeias de televisão, de jornais, de bancos ou de petrolíferas, o homem precisa de mais. Para já basta-lhe conseguir resistir a uma moção de censura que terá de enfrentar dentro de alguns dias, se o fizer pode continuar à frente do governo.



Aos 74 anos, o homem mais rico de Itália e da Europa, tem um cuidado extremo com a aparência e actualmente parece mais novo ou, pelo menos, menos enrugado, que há uns bons anos atrás, e apresenta-se com um cabelo negro como breu, que não sendo farto ainda fará inveja a muitos carecas de meia-idade. Levou com a réplica da catedral de Milão nas fuças e ficou sem marcas, aquilo ou é rijeza mesmo ou então é muita plástica.

Diz-se que trás sempre no bolso, camuflada por um lenço, uma esponja de base, daquelas usadas em maquilhagem, que vai passando regularmente pelo rosto para manter aquela aparência de múmia que ele considera um aspecto fabuloso. E usa o seu fino humor para lamentar não conseguir estar “tão bronzeado como o Obama”.

Já o vimos em fotos comprometedoras, com jovens beldades em festas particulares, capazes de fazer corar o Hugh Heffner. O homem é um verdadeiro apreciador da beleza feminina, e isso não é coisa criticável, mas encher as listas do seu partido, nas eleições para o Parlamento Europeu e nas legislativas italianas para a Câmara dos Deputados, de mulheres sem qualquer experiência política, mas todas elas jovens e atraentes, parece-me um bocado exagerado. Claro que agora a assiduidade dos parlamentares masculinos é muito maior e as bancadas ganharam muito em termos de beleza. Os desgraçados dos deputados portugueses são obrigados a levar com a Manuela Ferreira Leite e com a Odete Santos (felizmente já se deixou disso). Até podem ser mais competentes, qualificadas, inteligentes e conhecedoras que as suas colegas italianas, mas tendo em conta o que se faz no parlamento essas qualidades não me parecem de grande relevo e os italianos ficam a ganhar de goleada. Consta até que, para a coisa não ser demasiado escandalosa, com bacoradas a sair indiscriminadamente das bocas sedutoras e bem pintadas de loiras e morenas, as meninas receberam umas lições sobre matérias consideradas básicas para a sua futura actividade parlamentar, como retórica, orientação política, bases legais e eloquência, para, de vez em quando, abrirem a boca e conseguirem falar de qualquer coisa sem ser de jóias, penteados ou sapatos de salto alto.

A sua maior aquisição neste campo foi parar directamente ao governo. Depois de ter sido modelo e posado nua, a ministra para a Igualdade italiana, Mara Carfagna, actualmente com 34 anos, é considerada por muitos como a política mais bela do mundo. Se isso for verdade, confirma-se a teoria de Berlusconi, segundo a qual:

“É evidente que as mulheres de direita são muito mais bonitas que as mulheres de esquerda.”

Mara Carfagna a ministra

O Sócrates deve ter ficado a roer-se de inveja, embora nunca vá perceber qual é a diferença; para ele direita e esquerda é tudo o mesmo. Digamos que é politicamente ambidextro.

Mas o nosso amigo italiano nem sempre está em plena actividade política, na sua busca incessante para conseguir entalar os italianos em particular e os restantes cidadãos comunitários em geral, e como bon vivant que é gosta de se divertir nos seus tempos livres, mas só aprecia carninha fresca, sendo notória a sua predilecção por jovens recém saídas da puberdade mas já com a escola toda. Ficou conhecido como “Papi” a forma carinhosa como era tratado por uma adolescente de Nápoles, Noemi Letizia, sua protegida. Quando a mulher, Verónica Lario, soube da nova alcunha do seu marido e do modo como a tinha obtido pediu o divórcio. Mais recentemente veio a público o seu envolvimento com outra adolescente, Karima el-Mahroug, uma marroquina de 17 anos também conhecida por Rubi Rubacuori (faz lembrar aqueles nomes de actriz pornográfica, tipo Lolita Clímax).

Noemi Letizia, a protegida

Karima el-Mahroug ou Rubi Rubacuori (nome artístico), outra amiga

Verónica Lario, a ex

No topo da sua lista de amigos está o líder russo Vladimir Putin (o Sócrates deve ter ficado roído de inveja outra vez), também possuidor de um currículo invejável, com quem passa férias e troca presentes fabulosos, para além de manterem negócios estatais duvidosos, com enormes investimentos italianos na Rússia, dos quais se suspeita que ambos sejam beneficiários.

Berlusconi e Putin divertem-se

Já há uns bons anos que o cavalheiro tem vindo a acumular problemas com a justiça, embora apenas umas quantas vezes tenha sido efectivamente condenado, sempre sem chegar a cumprir qualquer pena. Umas vezes acabou amnistiado, outras ganhou os recursos em tribunais superiores, em muitas outras as curvas e contracurvas do direito processual italiano permitiram a prescrição dos processos (isto não vos soa a algo conhecido?). Desde a primeira vez em que se tornou chefe do Governo, em 1994, que não param de chover acusações. Algumas tão comuns em determinado tipo de políticos, como a corrupção, o apropriamento de fundos, o abuso de poder e a fraude fiscal, que já são quase consideradas naturais, enquanto outras, mais pesadas, se revelam mais apropriadas a “padrinhos” que a “papás”, como o perjúrio, a cumplicidade em assassínios e a de manter ligações à máfia.


Os seus modos são grosseiros e a personagem até já foi mandada calar pela Rainha de Inglaterra durante uma cerimónia oficial, a modos daquilo que o Rei Juan Carlos fez com o Hugo Chavez. A realeza sempre teve a mania de mandar calar os outros, coisa com que nunca concordei, mas, em ambos os casos, sou obrigado a dar o meu apoio ao lado monárquico.

Para Berlusconi não existe racismo ou discriminação, é tudo merda e acabou; para ele só há uma raça, a sua, os restantes são pretos, ciganos, árabes, chineses, hispânicos e outros que tais: tudo escumalha. Mas não fiquem a rir-se, pensando que os portugueses, mesmo os brancos, lhe merecem melhor consideração, para ele são mais um bando de grunhos. Excepto os amigos, claro, que cá também tem alguns. E desta vez não creio que o Sócrates tenha motivo para se roer de inveja, ele deve ser um dos eleitos e estar no topo da lista.

Quando estava a escrever isto falei com um amigo italiano sobre o assunto. Ele riu-se e disse-me: - Com tanta coisa para escrever sobre Portugal e os belos políticos que aí tens, estás a perder tempo com o Berlusconi. Isso de máfia, camorra e cosa nostra é tudo folclore, só serve para os filmes, vocês têm organizações desse género mas dão-lhes nomes de banco, de empresa pública, de partido político ou de clube de futebol, no fundo é tudo boa gente. O teu primeiro-ministro e outros governantes de maior ou menor envergadura também já foram vítimas de calúnias e acusações infundadas. Graças a Deus os poucos processos que chegaram a ser concluídos nunca levaram nenhum deles a cumprir qualquer pena efectiva, embora tenha havido uma ou outra condenação. Com recursos, amnistias e prescrições as coisas acabaram sempre em bem. O teu primeiro-ministro também não discrimina, tanto fode os pobres como os remediados. Circularam boatos sobre tudo e mais alguma coisa, desde Freeports a sucateiros, chegando até a por em causa a orientação sexual de algumas dessas pessoas. Ao menos o Berlusconi não é desses, nem se licenciou a um domingo e os exames nunca foram enviados por fax, o homem é tão honesto que prefere não ter um curso em vez de usar esses estratagemas.

Sofia Cabral, deputada do PS mostra que também não fica a dever nada às suas colegas italianas

Posto isto pensei que o melhor era não publicar este post, a mensagem estava clara: Quem tem telhados de vidro não deve atirar pedras ao telhado do vizinho. Mas depois resolvi voltar atrás, afinal bastava reformular a ideia e deixar que o que estava destinado a ser uma crítica fosse considerado como elogio. O homem deve ser um grande estadista, não é qualquer um que se aguenta tantos anos num lugar daqueles, tirando raras excepções como em Cuba e na Coreia do Norte. Além disso deve ser um grande macho, come tudo o que mexe, sejam loiras ou morenas, desde que tenham uma carinha bonita e umas pernas que se afastem sozinhas, e está provado que as acusações de racismo e xenofobia são falsas, senão não andava embrulhado com a tal marroquina.

Faz movimentar a economia (só em Viagra deve gastar uma verdadeira fortuna) e a ele também não eram uns quantos sobreiros ou uns pântanos mal cheirosos cheios de flamingos e outras aves a servir de argumento para travar o progresso.

Confesso que comecei a escrever isto um pouco indignado e amargo, mas agora estou contente, a minha opinião sobre a situação geral do nosso país alterou-se com as palavras do meu amigo. Fez-me descobrir que não estamos tão atrasados como eu pensava, afinal há montes de coisas em que já estamos ao mesmo nível da Itália.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

O homem-pássaro de Lisboa

Este homem-pássaro não voa nem sequer tem asas ou penas. Ou talvez tenha, mas serão penas da vida e não daquelas que cobrem as aves. No You Tube aparece designado por Homem-Pássaro de Lisboa, mas basta ouvi-lo falar um pouco para nos apercebermos que se trata de um estrangeiro, o que não o impede de ser de Lisboa na mesma, para isso serve esta sociedade global e globalizada onde cada um pertence a onde quiser e, no fundo, ninguém pertence a lado nenhum.
Alguns acharão estar perante um artista, outros perante um génio, a maioria achará que se trata simplesmente de um louco, original é de certeza e ainda bem, mau seria se a generalidade das pessoas fossem assim.

Homem-Pássaro de António Bokel (pode ver o site do artista aqui)

Mas este género de pessoas é cada vez mais comum, são o resultado de uma sociedade que lhes tritura os corpos e as almas, que os mastiga enquanto têm algo para comer e depois os cospe nas calçadas das cidades por esse mundo fora. Quem lhes comeu a carne já não quer roer-lhes os ossos, há muita mais carninha fresca para comer, de onde esta veio mais virá. Que se roam uns aos outros!
Infelizmente há cada vez mais homens-pássaro, homens-lagarto, homens-macaco e tantos outros, simplesmente porque não os deixaram ser só homens.
Voa voa homem-pássaro, um dia sairás da tua gaiola e seguirás livre pelos céus. Só que quando adquirires as asas já ninguém se lembrará de ti, serás apenas mais uma curiosidade num site qualquer da internet, uma aberração no You Tube, uma memória esbatida na mente de alguns que um dia passaram por ti e se riram. Sem saber que pode chegar a sua hora, o seu dia, em que eles poderão também ser obrigados a voar, para fugir da gaiola que os guarda e oprime.



Eventualmente será maçador, mas era certamente apropriado, dar uma leitura no Elogio da Loucura, uma obra de Erasmo de Roterdão (1465/1536). Nessa peça satírica ele faz a apologia da loucura, mas de uma loucura que se aproxima ao máximo da ignorância humana, aquela que nos leva a ter fé em deuses ou a acreditar na bondade do Homem, uma loucura que será quase inofensiva e torna a vida mais agradável, trazendo-nos os sonhos e aspirações que deixamos na infância.
Entre os que o inspiraram a criar esta obra contam-se o filósofo Demócrito, o escritor grego Luciano de Samosata (autor dos elogios do parasita e da mosca), Glauco, que escreveu o conflituoso elogio da injustiça, Sinésio, que fez o elogio da calvície e, entre outros, Virgílio, com os seus elogios do mosquito e do requeijão.
Será loucura a mais? O melhor mesmo é ler, o link está ali em cima e são só 76 páginas em PDF.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

A maior flor do mundo

"E se as histórias para crianças passassem a ser de leitura obrigatória para os adultos? Seriam eles capazes de aprender realmente o que há tanto tempo têm andado a ensinar?"

Esta é a derradeira frase do livro "A Maior Flor do Mundo", uma história para crianças escrita por José Saramago (pode aceder ao livro, ilustrado por João Caetano, aqui). Estava ele convicto da sua inabilidade para o fazer quando lhe saiu esta pequena mas excelente obra, como excelentes eram quase todas as obras que saiam do seu pensamento para o papel.

Começa assim:
"As histórias para crianças devem ser escritas com palavras muito simples, porque as crianças sendo pequenas, sabem poucas palavras e não gostam de usá-las complicadas."

Uma outra obra, desta vez de animação, deu à história original uma dimensão maior, contando-a sem palavras. Boa animação, com a voz do próprio Saramago fazendo uma pequena intervenção. Gostei bastante, por isso aqui a trago. Agora façam o favor de a ver até ao fim.


segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Ficção nacional ganha Emmy

Uma novela portuguesa da TVI ganhou um Emmy na classe das novelas internacionais. Claro que não concorreu com as grandes produções, mas apenas contra produtos similares das Filipinas e de outros países dentro dessa gama a nível televisivo.
A grande estrela da cerimónia foi Rita Pereira, que resolveu mostrar ao mundo aquilo que tem de melhor, tentando assim, quem sabe, dar o grande salto para as produções de verdade, aquelas feitas nos E.U.A., em último caso, o salto para uma cama qualquer já está mais que garantido, resta esperar que seja a cama certa, e não de um porteiro ou qualquer outro funcionário subalterno num obscuro estúdio, algures nas traseiras de Hollywood.
A rapariga disse que tudo aquilo - refiro-me ao que de melhor ela exibe - se deve ao paizinho e à mãezinha, não a um cirurgião plástico. Sorte dela que teve uns pais habilidosos.
Vejamos a opinião do Rui Unas sobre o assunto:


sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Amor e paixão nunca são demais

Em finais de 1980, aquele que terá sido o primeiro grupo New Wave português, o Corpo Diplomático (que já descendia do primeiro grupo punk nacional, os Faíscas), termina a sua carreira, depois de um início bastante promissor, com a sua estreia ao vivo a ocorrer no mítico, e também já desaparecido, Pavilhão do Dramático de Cascais, numa noite que ainda hoje recordo, em que fizeram a primeira parte dos norte-americanos The Tubes. que adoro e um destes dias vou apresentar a quem ainda não conhece e recordar aos que já têm esse privilégio.
Do Corpo Diplomático sobram Pedro Ayres Magalhães, Carlos Maria Trindade e Paulo Pedro Gonçalves, a quem se juntam António José de Almeida (ex-baterista dos Tantra, um excelente grupo de rock sinfónico) e Rui Pregal da Cunha, para formarem os Heróis do Mar.
Inicialmente há quem os acuse de neo-fascistas e até de neo-nazis, devido à estética nacionalista das suas roupas e de algumas das letras das suas canções. No fundo não passavam de um grupo pop com inspiração nos chamados neo-românticos, em especial Spandau Ballet e Duran Duran.
Deixando de lado a história da música portuguesa, vamos passar ao que interessa e dá título a este post: Amor e paixão nunca são demais, especialmente a uma sexta-feira.
Para que o fim-de-semana se inicie de uma forma alegre e bem-disposta, fiquem-se com estas duas pérolas dos tais rapazes e, já agora, podem também rir-se do visual do anos 80 que, visto a esta distância, só dá mesmo para gozar.




quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Vira latas - A luta pela sobrevivência

Hoje é dia de uma das maiores greves gerais de sempre em Portugal. As pessoas optaram por esta forma de luta para mostrar a quem os governa que não conseguem aguentar muito mais. No fundo estão a lutar pela sobrevivência, tal como o Vira Latas, a personagem principal desta curta metragem de animação. Vem a propósito.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Reflexões anarquistas


"Tenho muito a dizer. Mas não me lembro agora..."

Johnny Ramone - músico (Isto se partirmos do princípio que os Ramones faziam música. Quanto a ser anarquista, duvido. Acho que ele nem sabia o que era isso.)


"A propriedade privada introduz a desigualdade entre os homens, a diferença entre o rico e o pobre, o poderoso e o fraco, o senhor e o escravo, até a predominância do mais forte. O homem é corrompido pelo poder e esmagado pela violência."

Jean-Jacques Rousseau - filósofo (Não sendo propriamente anarquista escreveu
Do Contrato Social, o qual inspirou muitos dos revolucionários e regimes nacionalistas e opressivos subsequentes a esse período, um pouco por toda a Europa continental. Inspirados nas idéias de Rousseau, os revolucionários defendiam o princípio da soberania popular e da igualdade de direitos.)


" Se o dinheiro fosse merda os pobres nasciam sem cú."
Um popular qualquer - talvez desempregado (Não sendo também anarquista, nem tendo sequer escrito qualquer obra, produziu esta frase insofismável que continuará, provavelmente para sempre, como uma das grandes verdades da história da humanidade.)

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

A história dos dois leões

Certa vez dois leões fugiram do Jardim Zoológico. Um deles resolveu ir para o campo, onde se internou na floresta para não ser encontrado, o outro preferiu ficar pela cidade, achando que seria mais fácil encontrar alimento.
Passados alguns dias o leão que fugira para o campo apareceu na porta do Zoológico, magro, esfomeado e com péssimo aspecto, de tal forma que nem o tratador o reconheceu. O director nem o queria receber, com medo que um animal em tão mau estado viesse conferir má reputação ao Zoo.
Ao fim de muitos meses já ninguém se lembrava do outro leão, aquele que tinha ficado na cidade, até que um dia alguém o denunciou e foi apanhado e enviado para a antiga jaula. Estava gordo, bem tratado e de excelente saúde.
Quando se encontraram, o outro perguntou-lhe como tinha conseguido manter-se alimentado e saudável, ele na floresta ia perecendo à fome e fora obrigado a entregar-se, enquanto o seu amigo sobrevivera na cidade quase um ano sem problemas.
O leão "citadino" explicou ao amigo:
- Foi fácil meu caro, escondi-me numa repartição pública. Sempre que sentia fome comia um funcionário e ninguém dava pela falta dele.
- Então por que resolveste voltar para cá, acabaram-se os funcionários públicos?
- Não meu amigo, os funcionários públicos nunca acabam, há sempre mais e mais. E eu não tencionava voltar nunca. Mas um dia cometi um erro imperdoável que ditou o meu fim. Já tinha comido o director geral, um director de serviços, um chefe de divisão, dois chefes de repartição, um chefe de secção, uma série de funcionários diversos, sem que ninguém alguma vez tivesse dado pela falta deles! Até ao triste dia em que resolvi comer o que tratava do cafézinho...

Já agora, para a coisa não parecer demasiado política, ainda por cima a pouco mais de um dia de uma greve geral, vou deixar aqui mais umas palavras relacionadas com leões, começando por uma outra história:

Certo dia um burro, uma raposa e um leão andavam à caça. O dia correu-lhes bem e conseguiram apanhar várias peças de caça, tendo o leão encarregue o burro de as dividir. O burro dividiu o produto da caçada em três partes igual, dando uma a cada um deles. O leão ficou bastante insatisfeito com a divisão e dirigiu-se ao burro rugindo e rangendo os dentes, acabando por o comer.
Após ter comido o burro, o leão encarregou a raposa de dividir entre ambos o produto da caçada. Esta juntou as três partes em que o burro tinha dividido a caça e entregou tudo ao leão, sem deixar nada para si.
O leão ficou surpreendido e perguntou à raposa: - Quem te ensinou a fazer divisões desta maneira?
Ao que a raposa respondeu prontamente: - Foi a experiência do burro.

Esta historinha aprende-se na escola, mas naquelas escolas para adultos, chamadas universidades. É uma história que tem a virtude de não necessitar de explicação, explica-se a si mesma, quem tenha um pouco de inteligência entende o âmago da coisa. Fundamentalmente serve para introduzir a temática dos pactos leoninos, que são proibidos pela lei nacional.


Artº 994 do Código Civil Português
(Pacto leonino)

É nula a cláusula que exclui um sócio da comunhão nos lucros ou que o isenta de participar nas perdas da sociedade, salvo o disposto no n.º 2 do artigo 992.º

(Os sócios de indústria não respondem, nas relações internas, pelas perdas sociais. Sócio de indústria é aquele cuja entrada para a sociedade é concretizada em trabalho, não em espécie ou em dinheiro.)

Que pena não existir uma proibição dos pactos leoninos nas relações entre dirigentes e dirigidos, muita falta fazia...