The Blog Directory Blog Directory Free Blog Directory Blog Listings Barreiro Overnight: O homem-pássaro de Lisboa

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

O homem-pássaro de Lisboa

Este homem-pássaro não voa nem sequer tem asas ou penas. Ou talvez tenha, mas serão penas da vida e não daquelas que cobrem as aves. No You Tube aparece designado por Homem-Pássaro de Lisboa, mas basta ouvi-lo falar um pouco para nos apercebermos que se trata de um estrangeiro, o que não o impede de ser de Lisboa na mesma, para isso serve esta sociedade global e globalizada onde cada um pertence a onde quiser e, no fundo, ninguém pertence a lado nenhum.
Alguns acharão estar perante um artista, outros perante um génio, a maioria achará que se trata simplesmente de um louco, original é de certeza e ainda bem, mau seria se a generalidade das pessoas fossem assim.

Homem-Pássaro de António Bokel (pode ver o site do artista aqui)

Mas este género de pessoas é cada vez mais comum, são o resultado de uma sociedade que lhes tritura os corpos e as almas, que os mastiga enquanto têm algo para comer e depois os cospe nas calçadas das cidades por esse mundo fora. Quem lhes comeu a carne já não quer roer-lhes os ossos, há muita mais carninha fresca para comer, de onde esta veio mais virá. Que se roam uns aos outros!
Infelizmente há cada vez mais homens-pássaro, homens-lagarto, homens-macaco e tantos outros, simplesmente porque não os deixaram ser só homens.
Voa voa homem-pássaro, um dia sairás da tua gaiola e seguirás livre pelos céus. Só que quando adquirires as asas já ninguém se lembrará de ti, serás apenas mais uma curiosidade num site qualquer da internet, uma aberração no You Tube, uma memória esbatida na mente de alguns que um dia passaram por ti e se riram. Sem saber que pode chegar a sua hora, o seu dia, em que eles poderão também ser obrigados a voar, para fugir da gaiola que os guarda e oprime.



Eventualmente será maçador, mas era certamente apropriado, dar uma leitura no Elogio da Loucura, uma obra de Erasmo de Roterdão (1465/1536). Nessa peça satírica ele faz a apologia da loucura, mas de uma loucura que se aproxima ao máximo da ignorância humana, aquela que nos leva a ter fé em deuses ou a acreditar na bondade do Homem, uma loucura que será quase inofensiva e torna a vida mais agradável, trazendo-nos os sonhos e aspirações que deixamos na infância.
Entre os que o inspiraram a criar esta obra contam-se o filósofo Demócrito, o escritor grego Luciano de Samosata (autor dos elogios do parasita e da mosca), Glauco, que escreveu o conflituoso elogio da injustiça, Sinésio, que fez o elogio da calvície e, entre outros, Virgílio, com os seus elogios do mosquito e do requeijão.
Será loucura a mais? O melhor mesmo é ler, o link está ali em cima e são só 76 páginas em PDF.

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